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sábado, março 17

Época de caça em África


Kony 2012:



17 de Março, 2012por Pedro Guerreiro

Joseph Kony, 'estrela' na internet, é apenas um entre vários criminosos de guerra em fuga.
Pela primeira vez, um criminoso de guerra foi condenado na quarta-feira pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) pela mobilização de crianças-soldado. Não falamos de Joseph Kony, líder do Exército de Resistência do Senhor (LRA na sigla inglesa) e alvo de uma inédita campanha mediática pela sua captura, mas antes do congolês Thomas Lubanga.

A condenação, também a primeira proferida pela instância internacional nascida em 2002 e co-liderada pelo juiz argentino Luis Moreno Ocampo, é o segundo grande momento mediático do TPI neste mês. Recorde-se que num vídeo difundido no dia 5, a organização não governamental Invisible Children, sediada nos Estados Unidos, propôs «estabelecer um precedente na justiça internacional» com a captura de Kony, procurado pelo TPI pelo rapto, violação e militarização de mais de 60.000 crianças no conflito contra forças rivais do Uganda, Congo, República Centro-Africana e Sudão do Sul.

O filme em que se centra a campanha para «tornar Kony famoso» foi visto por mais de 100 milhões em menos de uma semana e conta com a participação e apoio de Ocampo. Contudo, o trabalho da ONG próxima do Governo do Uganda e de guerrilhas anti-LRA, ambos suspeitos de violações dos direitos humanos, enfrenta críticas de observadores e de vítimas do conflito.

Na terça-feira, milhares de pessoas reuniram-se num cinema ao ar livre em Lira, norte do país, para assistir ao filme pela primeira vez. A exibição terminou com vaias e arremesso de pedras. A população considerou ofensiva a comercialização de roupa e pulseiras com o nome de Kony e as imprecisões factuais da narrativa.

Outros questionam o timing da campanha. Kony terá abandonado o Uganda há seis anos e o LRA, que outrora reunia milhares de combatentes, estará actualmente reduzido a uma guerrilha de 200 ou 300 homens, fragmentada em vários grupos.

Nos Estados Unidos, que não reconhecem o TPI, o interesse em Kony não é inédito. Em Outubro, Barack Obama anunciou o envio de tropas para o Uganda com a missão de auxiliar o combate ao LRA. Mas há vários anos que Washington mantém um número desconhecido de militares naquele país. De resto, em 2008, o contingente esteve envolvido numa operação fracassada contra Kony.

Aposta de Obama

O que poderá estar em causa no Uganda? Num artigo recente da Foreign Affairs, os analistas Mareike Schomerus, Tim Allen e Koen Vlassenroot admitiam que a condenação do LRA é de tal forma unânime que a sua perseguição será sempre bem vista pela opinião pública norte-americana (em Novembro, Obama joga a reeleição).

Os EUA e a comunidade internacional encontram-se em dívida com o Uganda, que perdeu já centenas de homens na perseguição aos islamistas do al-Shabaab na Somália. Por fim, a recente descoberta de enormes reservas petrolíferas no oeste do país renova o interesse não só de Washington, mas também da China e dos europeus na região.

Na lista negra

Recorde-se ainda que Kony conta com extensa companhia na lista dos criminosos mais procurados de África. Outros três membros do LRA estão a monte após pronúncia pelo TPI. No leste do Congo, é procurado Bosco Ntaganda, o «exterminador», líder de uma milícia tutsi. O TPI para o Ruanda procura nove acusados, incluindo o milionário Félicien Kabuga, um dos principais promotores do genocídio de centenas de milhares de tutsis nos anos 90. Estará escondido no Quénia.

No Sudão, entre outros nomes, recaem mandados de captura sobre o Presidente Omar al-Bashir e o governador do Cordofão do Sul (e a dado momento mediador de conflitos patrocinado pela ONU) Ahmed Haroun, acusados de genocídio e crimes contra a humanidade no Darfur. Longe das primeiras páginas dos jornais, os massacres no recém-independente Sudão do Sul, onde nos últimos meses milhares de pessoas foram chacinadas, deixam antever novas entradas na lista.

pedro.guerreiro@sol.pt

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